5 mitos sobre tecnologias futuras

Robôs em que confiamos cegamente poderiam nos levar a consequências desastrosas?

Como o mundo parecerá daqui a 10 anos, 40 anos? A continuação da Lei de Moore nos permitirá ter uma sociedade dirigida por robôs autômatos? Teremos dominado o aquecimento global e celebraremos como pessoas enquanto nos aproximamos da tão esperada singularidade tecnológica? Alguns futuristas, pessoas que lidam com esse tipo de especulação, fizeram predições dessa natureza, mas há também aqueles que dizem que essas previsões estão erradas. Neste artigo, vamos dar uma olhada em algumas das ideias populares sobre o futuro da tecnologia que são provavelmente mitos.Prever futuras tendências ou desenvolvimentos, especialmente no dinâmico campo da tecnologia, é inerentemente inexato, mas é possível fazer algumas suposições embasadas. Claro que também é possível analisar o ponto de vista oposto em relação à realidade de algumas dessas tecnologias, mas nesses casos, há evidências suficientes por aí, particularmente de especialistas, para diagnosticá-las como mitos.

Vamos começar com uma das mais lendárias máquinas da era pós-industrial: o carro voador.

5. Dirigiremos carros voadores em breve

O carro voador vem sendo profetizado há décadas. É um dos cálices sagrados da sociedade utópica futurista, onde todos andam pra lá e para cá no ar e aterrissam facilmente, silenciosamente e de forma segura onde quer que queiram.

O Moller Sky Car, que pousa e decola verticalmente, vai custar inicialmente US$ 1 milhão
Moller / Divulgação
O Moller Skycar, que pousa e decola verticalmente, vai custar inicialmente US$ 1 milhão

Você provavelmente já viu vídeos de protótipos de carros voadores, decolando do solo, pairando no ar e possivelmente batendo. Mas o primeiro “autoplano” foi revelado, na verdade, em 1917, e muitos esforços similares o seguiram. Henry Ford predisse que o carro voador estava chegando – em 1940 – e, desde então, houve numerosos falsos alarmes.

Há uma década já no século 21, não parecemos estar nem um pouco perto, apesar do que você possa ter lido em alguns blogs de gadgets. Como os recursos financeiros secaram, a Nasa abandonou seu concurso para inventores criarem um “Veículo Aéreo Pessoal”, e não há outra agência governamental, exceto talvez a secreta DARPA, pronta para tomar as rédeas do projeto.

Há simplesmente muitos desafios no caminho de um carro voador largamente adotado. Custo, rotas de vôo e regulamentações, segurança, uso potencial no terrorismo, eficiência de combustível, treinamento de pilotos/motoristas, pouso, barulho, oposição das indústrias de automóveis e transportes – todos parados no caminho de um legítimo carro voador. Também esses veículos provavelmente terão de ser capazes de operar como carros em ruas/rodovias normais, impondo outro desafio logístico.

Na verdade, muitos dos assim chamados carros voadores que estão sendo apregoados como a coisa real são simplesmente aeronaves que rodam – um tipo híbrido de avião/carro que não é capaz de, digamos, fazer uma viagem curta para deixar os filhos na escola. Mais, eles são muuuuuito caros. Um veículos desses, o  Terrafugia Transition, marcado para ser lançado em 2011, custará cerca de US$ 200 mil.

4. Singularidade tecnológica

Ray Kurzweil, que acredita no salto tecnológico
singularity.org / Divulgação
Ray Kurzweil, que acredita no grande salto tecnológico

Nos últimos anos, futuristas proeminentes como Ray Kurzweil têm dito que vamos nos aproximar da singularidade lá pelo ano 2030. Há muitas concepções diferentes do que a singularidade é ou será. Alguns dizem que é a verdadeira inteligência artificial que pode rivalizar com humanos em pensamento e criatividade independentes. Em outras palavras, máquinas vão ultrapassar os humanos em inteligência e, como espécies dominantes do planeta, serão capazes de criar suas próprias máquinas novas e mais espertas. Outros sustentam que ela vai envolver uma tamanha explosão no poder de computação que, de alguma maneira, humanos e máquinas vão se unir para criarem algo novo, como o upload de nossas mentes para uma rede neural compartilhada.Críticos da sinularidade, como o escritor e acadêmico Douglas Hofstadter afirmam que esses são cenários de ficção científica, que são essencialmente especulativos. Hofstadter os chama de vagos e inúteis nas discussões contemporâneas sobre o que faz um ser humano e nossos relacionamentos com a tecnologia.Há também uma pequena evidência de que o tipo de tisunami da inovação tecnológica prevista por Kurzweil e outros futuristas é iminente.

Mitch Kapor, ex-CEO da Lotus,  chamava a singularidade de “projeto inteligente para pessoas com QI 140” [fonte: O’Keefe]. Uma revistas chamava-a de “a ruptura dos nerds” – dificilmente um termo complementar  [fonte: Hassler]. Já o cientista da computação Jeff Hawkins sustenta que embora nós possamos criar máquinas altamente inteligentes – muito maiores que qualquer coisa que tenhamos agora – a verdadeira inteligência se baseia em “experiência e treinamento”, em vez de apenas em programação avançada e poder de processamento avançado [fonte: IEEE].

Os céticos apontam para as numerosas fantasias de ficção científica e predições do passado que ainda não se tornaram verdaderias como evidências de que a singularidade é apenas outro desejo inalcançavel dos sonhos – por exemplo, nós não temos bases lunares ou gravidade artificial ainda. Eles também argumentam que compreender a natureza da consciência é impossível, muito menos criar essa capacidade nas máquinas. Finalmente,o futuro iminente da singularidade depende em grande parte da continuação da Lei de Moore, que, como discutiremos na próxima página, pode estar em perigo. (Também deve ser observado que o próprio Gordon Moore não é um crente da singularidade [fonte: IEEE].)

3. A Lei de Moore sempre será verdadeira

Chips de 20 nanometros serão menores que um moeda de um centavo
Intel / Divulgação
Chips de 20 nanometros serão menores que um moeda de um centavo

A Lei de Moore geralmente é levada a significar que o número de transitores em um chip – e por exetensão, o poder de processamento – dobra a cada dois anos. Na verdade, Gordon Moore, o cientistas da computação que criou a Lei de Moore em 1965, estava falando dos custos econômicos da produção de chips e não do alcance científico por trás dos avanços no design dos chips.Moore acreditava que os custos da produção de chips cairiam pela metade anualmente pelos próximos 10 anos, mas poderiam não ser sustentáveis. O limite da Lei de Moore seria alcançado, então, economicamente, em vez de cientificamente.

Vários especialistas em computação proeminentes afirmaram que a Lei de Moore não poderia durar mais do que duas décadas. Por que a Lei de Moore está condenada? Porque os chips se tornaram muito mais caros para produzir, enquanto os transistores ficaram muito menores.

Um analista previu que em 2014, transistores teriam 20 nanometros de tamanho, mas quaisquer outras reduções no tamanho do chip seriam muito caras para produção em massa [fonte: Nuttall]. Para efeito de comparação, até o primeiro semestre de 2009, apenas a Samsung ea Intel tinham investido na fabricação de chips de 22 nanometros.

As fábricas que produzem esses chips custam bilhões de dólares. A fábrica Fab 2 da Globalfoundries, marcada para começar a produçã em Nova York em 2012, vai custar US$ 4,2 bilhões para ser construída. poucas companhias têm esse tipo de recurso, e a Intel disse que a empresa deve ter US$ 9 bilhões em receita anual para competir no mercado de chip de ponta [fonte: Nuttall].

Esse mesmo analista acredita que as companhias tentarão construir tecnologias mais avançadas antes de investir em projetos mais caros de chips novos e menores [fone: iSuppli]. Por isso, embora o fim da Lei de Moore possa limitar a taxa em que adicionamos transistores aos chips, isso não significa que outras inovações impedirão a criação de computadores mais rápidos e mais avançados.

2. Robôs serão nossos amigos

Robôs autômatos chegariam a nos substituir em tarefas perigosas e do dia-a-dia, como no filme Substitutos?
Divulgação
Robôs autômatos chegariam a nos substituir em tarefas perigosas e do dia-a-dia, como no filme Substitutos?

Embora nós provavelmente não nos dirijamos para um fim do mundo como o provocado pela Skynet, um número crescente de cientistas se preocupa se medidas adequadas estão sendo tomadas para nos salvaguardar de nossas criações robóticas e digitais.Uma das principais preocupações é a automação. Os aviões militares operados por controle remoto poderiam ter a permissão de tomar suas próprias decisões de atacar ou não um alvo? Se um ser humans estiver monitorando, ele ainda será capaz de cancelar os desejos do avião robótico? Nós permitiremos que as máquinas se repliquem sem o controle do homem? Nós permitiremos carros autoguiados? (Alguns carros já oferecem a capacidade de estacionar sozinhos ou de evitar que o motorista se arraste para outra faixa de rolamento.)

E há a questão dos robôs exercendo papéis que provavelmente não deveriam. Já existem protótipos de robôs médicos desenhados para perguntar aos pacientes sobre seus sintomas e dar orientação, simulando emoções reconfortantes – um papel tradicionalmente ocupado por um médico humano. A Microsoft tem uma recepcionista de Inteligência Artificial baseada em vídeo em um de seus prédios. Uma nova classe de “robôs de serviço” pode plugar-se nas tomadas de energia elétrica e desempenhar outras tarefas domésticas – sem mencionar o há muito estabelecido Roomba, um aspirador de pó-robô autômato.

Talvez estejamos colocando muitas tarefas críticas e responsabilidade nas mãos de atores não humanos, ou nos encontremos gradualmente em uma posição de dependência das máquinas. Em uma conferência para cientistas da computação, especialistas em robôs e outros pesquisadores ocorrida em 2009, os especialistas de plantão expressaram preocupação sobre como o crime poderia tirar vantagem da próxima geração da tecnologia, como inteligência artificial, para obter informações ou para personificar pessoas reais [fonte: Markoff].

O resumo dessa conferência e de outras discussões parecer ser que é importante começar a cuidar dessas questões cedo, para esboçar os padrões da indústria agora, mesmo se não estiver claro que tipo de avanços tecnológicos o futuro trará.

1. Nós podemos parar o aquecimento global

O derretimento de geleiras, devido ao aquecimento global, pode acabar com todo um ecossistema
© Jan Will / iStockphoto
O derretimento de geleiras, devido ao aquecimento global, pode acabar com todo um ecossistema

O aquecimento global é inevitável? O consenso entre muitos cientistas é que sim, pelo menos em algum grau, e que nós apenas podemos esperar prevenir grandes desastres e lidar com as consequências. Alguns dos mais respeitados climatólogos do mundo dizem que a humanidade já passou do ponto proverbial do não retorno [fonte: Borenstein]. O Painel de Mudanças do Clima da ONU, um grupo com mais de 2.000 cientistas, reuniu-se em 2007 e emitiu um alerta desolador, depois de ter primeiro anunciado que em 2001 as temperaturas globais ainda estavam subindo.Mesmo agora, estamos vendo os efeitos da mudança climática, como o derretimento de geleiras e o aumento dos níveis do mar tornando os cliclones sulasiáticos mais severos. Espera-se que os efeitos sejam particularmente severos para centenas de milhões de pessoas em países em desenvolvimento [fonte: Kanter]. O atol de Tuvalu agora tem de lidar com ondas gigantes que ameaçam submergir uma nação inteira.

Se deixássemos de produzir gases estufa a partir de hoje, o mundo ainda veria um aumento de meio grau centígrado na temperatura até o meio do século, porque o dióxido de carbono existente ficaria na atmosfera  por meio século ou mais [fonte: Borenstein]. (Alguns países estão tentando fazer algo a respeito, como a Noruega, que está bombeando CO2 para poços petrolíferos sem uso no subsolo.) E um aumento catastrófico de 1,5ºC a 3ºC no final do século é possível [fonte: Borenstein].

A grande questão que fica, para alguns, é se a quantidade de aquecimento pode ser controlada para evitar esses cenários desastrosos. Encorajar ações ambientais de base é importante, mas a cooperação intergovernamental é fundamental, e isso tem sido feito muito devagar, particularmente com os EUA, a China e a índia. Nós também precisamos, dizem os especialistas, começar a planejar como responder aos desastres relacionados com o aquecimento global, como ajuda às áreas costeiras, o estabelecimento de unidades de resposta rápida para incêndios e a preparação para ondas de calor mortais.

Para mais informações sobre mitos tecnológicos, dê uma olhada nos links da próxima página.

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5 Respostas to “5 mitos sobre tecnologias futuras”

  1. O Ruminante Says:

    Muito bom esse post, são assuntos que para quem gosta de tecnologia são muito interessantes

  2. Mariana Says:

    Todas as minhas esperanças sobre o futuro foram destruídas.

  3. Arqueu Says:

    Tecnologia é algo que gira contra o caminho humano, cruza sua linha e transborda para o outro lado. Causa e efeito em estado de constância. É fascinante. Muito bom o blog.

  4. Léo Nogueira Says:

    É desanimador o futuro da humanidade, preocupante.
    O blog é beleza, muito bom. Parabens.


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